A igreja de S. Jorge, construida em estilo gótico, na década de 60, por sugestão dos padres redentoristas, contem em si a memória sagrada do nosso povo. No seu interior, encontra-se o local da primeira capela, igreja e cemitério.
Da primeira capela, ficou-nos a tela de S. Jorge montado no cavalo com o dragão aos seus pés. Da igreja, ficou-nos a pia baptismal, o crucifixo da parede do altar mor e alguns fragmentos do recheio da igreja, expostos no museu do subsolo. No cemitério primitivo, encontraram-se algumas ossadas que foram transladadas para o novo cemitério.
Devido a falta de consenso do povo, na escolha do local da nova igreja, optou o padre Artur juntamente com as confrarias do tempo, pelo alargamento da igreja, destruindo-se assim uma obra prima em estilo barroco. Uma igreja de tamanho médio, acolhedora e construida com material local: Xisto, ardósia, barro e madeira de castanho. O seu interior era rico em talhas douradas e madeira trabalhada por artifice da região: três altares estilo D. João V, balaustrada, pulpito, coro e imagens antigas.
A nova igreja é bonita, espaçosa e e o símbolo da fé e da vontade dos nossos contemporâneos. Foi pena que o mármore e o cimento substituissem uma obra prima que nos tinha sido legada pelos nossos antepassados.
É contudo de louvar, a audácia de alguns Sanjorgenses, que tendo tido conhecimento que o recheio da igreja tinha sido vendido por setenta contos ao museu de arte sacra da Guarda, pelo padre Geada, interditaram a camioneta de sair do largo dos paralelos e obrigaram os seus ocupantes, estupefactos pela reaccão do povo, a devolver os objectos.
Amigo Sanjorgense, quando visitares a nossa terra, não deixes de entrar na igreja. Ela é o templo do Deus Altissimo e o local sagrado da memória colectiva dos nossos antepassados.
Episódios da aldeia
A igreja de S. Jorge e o santuário sagrado da memória colectiva do nosso povo
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- Escrito por: António Cruz Ramos